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Ciência

Pesquisas brasileiras avançam em novas estratégias contra glioblastoma e recaída da leucemia

Estudos premiados em São Paulo investigam uma nova forma de levar quimioterapia ao cérebro e um marcador capaz de identificar pacientes com leucemia mieloide aguda com maior risco de recaída.

18 de agosto de 2026 · Por Ação Comunicativa

Composição gráfica editorial com microscópio, moléculas e hélice de DNA em azul-marinho e terracota.

Duas pesquisas desenvolvidas com participação de cientistas brasileiros apontam caminhos promissores para desafios importantes da oncologia: melhorar a entrega de medicamentos no tratamento do glioblastoma e identificar pacientes com leucemia mieloide aguda com maior risco de recaída.

Os trabalhos foram reconhecidos na 17ª edição do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, iniciativa ligada ao Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Icesp.

Quimioterapia pela via nasal

Uma das pesquisas investiga uma estratégia para transportar a temozolomida, medicamento utilizado no tratamento do glioblastoma, pela via nasal até o cérebro. O grupo desenvolveu nanopartículas biodegradáveis carregadas com o medicamento e revestidas com membranas provenientes de células tumorais.

A proposta busca melhorar a capacidade de direcionar o fármaco às células do glioblastoma e contornar uma das grandes dificuldades do tratamento de tumores cerebrais: fazer o medicamento chegar de maneira eficiente ao local desejado.

Os resultados publicados até agora são experimentais. A tecnologia foi avaliada em diferentes modelos de laboratório e pré-clínicos, e ainda são necessários novos estudos antes que uma estratégia desse tipo possa ser utilizada rotineiramente em pacientes.

Marcador de risco na leucemia mieloide aguda

A segunda pesquisa premiada está relacionada à leucemia mieloide aguda, LMA. Os pesquisadores avaliaram o conteúdo de DNA mitocondrial das células leucêmicas e identificaram uma associação entre níveis elevados desse marcador, maior dependência do metabolismo mitocondrial, resistência ao tratamento e maior risco de recaída.

A análise pode ser realizada por PCR, tecnologia amplamente conhecida nos laboratórios de diagnóstico. O estudo analisou centenas de pacientes e teve seus resultados avaliados em grupos independentes no Brasil e na Europa.

Além de ajudar na identificação de pacientes com maior risco, os pesquisadores investigaram caminhos para explorar essa vulnerabilidade metabólica das células leucêmicas. Os resultados ainda precisam avançar em estudos clínicos antes que essas estratégias possam ser incorporadas à rotina de tratamento.

As duas pesquisas mostram como ciência básica, tecnologia e medicina podem se aproximar na busca por tratamentos mais direcionados e estratégias de cuidado cada vez mais individualizadas.

Na oncologia, transformar uma descoberta de laboratório em tratamento exige tempo e validação. Mas cada novo conhecimento amplia os caminhos possíveis para o futuro do cuidado.

  • Ciência
  • Oncologia
  • Glioblastoma
  • Leucemia
  • Pesquisa
  • USP

Fontes e referências

  • Folha de S.Paulo / Prêmio Octavio Frias de Oliveira

    Pesquisas de quimioterapia nasal para tumor cerebral e de marcador na recaída de leucemia vencem Prêmio Icesp

    Acessar fonte
  • ACS Applied Materials & Interfaces

    Nose-to-Brain Delivery of Biomimetic Nanoparticles for Glioblastoma Targeted Therapy

    Acessar fonte
  • Signal Transduction and Targeted Therapy

    High mtDNA content identifies oxidative phosphorylation-driven acute myeloid leukemias and represents a therapeutic vulnerability

    Acessar fonte

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