MARÇO LILÁS

MARÇO LILÁS
Especialista do HAC reforça que informação, vacina contra o HPV e exames de rastreamento são fundamentais para prevenir o câncer do colo do útero

O mês de março é marcado pela campanha Março Lilás, dedicada à conscientização e prevenção do câncer do colo do útero. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação e incentivar medidas que podem reduzir significativamente a incidência e a mortalidade pela doença, como a vacinação contra o HPV e a realização periódica de exames de rastreamento.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio 2026–2028. A taxa estimada é de 17,59 casos para cada 100 mil mulheres. Atualmente, esse é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres no país, atrás apenas dos cânceres de mama e colorretal, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.

Além da alta incidência, a doença ainda provoca milhares de mortes todos os anos. Em 2023, foram registradas 7.209 mortes por câncer do colo do útero no Brasil, segundo dados do INCA — um cenário que especialistas apontam como evitável diante das ferramentas de prevenção disponíveis.

“O câncer do colo do útero é um tipo de câncer que não deveria mais existir, uma vez que nós conhecemos o principal fator de risco, que é a infecção pelo HPV, e já temos a vacina contra o vírus”, afirma a oncoginecologista Lenira Queiroz Mauad (foto), do Hospital Amaral Carvalho (HAC), em Jaú (SP).

A vacinação contra o HPV é indicada principalmente para adolescentes entre 9 e 14 anos, antes do início da vida sexual. Em algumas situações específicas, a imunização também pode ser aplicada em outras faixas etárias, como até os 19 anos ou, mediante indicação médica, até os 45 anos.

Outra estratégia fundamental é o rastreamento regular por meio do exame de Papanicolaou, recomendado para mulheres a partir dos 25 anos, mesmo quando não apresentam sintomas. “Após dois exames consecutivos com resultado normal, o intervalo pode ser ampliado para três anos, mantendo a segurança no acompanhamento”, explica a especialista.

Nos últimos anos, o rastreamento também passou a contar com tecnologias mais avançadas, como o teste molecular para detecção do HPV por meio da técnica de PCR. O exame pode ser realizado a partir dos 25 anos e, quando o resultado é negativo, pode ser repetido a cada cinco anos.

Segundo Mauad, essa metodologia permite identificar precocemente a presença do vírus e direcionar o acompanhamento das pacientes com maior risco. “Esse método antecipa em até dez anos o diagnóstico das lesões iniciais”, destaca.

Para a especialista, além das políticas públicas e das estratégias de saúde, a disseminação de informações entre as próprias mulheres também tem papel fundamental na prevenção. “Nós, mulheres, temos a obrigação de nos cuidarmos e divulgarmos esse conhecimento para filhas, irmãs, parentes e amigas. Precisamos lembrar que esse câncer tem de ser extinto em sua forma invasiva na população feminina”, conclui.

17/Mar/26 - Acao Comunicativa
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