SOL PASSA, CUIDADO FICA
Janeiro, no
Brasil, é período de sol, calor e férias, para muita gente, que aproveita pra
curtir a praia, piscina e atividades ao ar livre. Mas o verão também reacende
um alerta importante: os cuidados com a pele precisam ir muito além das
campanhas sazonais. As orientações de prevenção do câncer de pele, amplamente
divulgadas durante o Dezembro Laranja, devem ser seguidas ao longo de todo o
ano.
Apesar da
cultura de exposição ao sol, especialistas alertam que a prática não é
recomendada entre 10h e 16h, especialmente sem proteção adequada. O uso de
protetor solar, chapéus, bonés, roupas com proteção ultravioleta (UV) e óculos
escuros é fundamental. O câncer de pele é o tipo mais frequente no mundo e
responde por cerca de 30% de todos os tumores registrados no Brasil. Dados do Instituto
Nacional do Câncer (INCA) estimam mais de 220 mil novos casos anuais de câncer
de pele não melanoma e cerca de 9 mil de melanoma, forma mais agressiva da
doença.
“O sol tem
efeito cumulativo na pele. A exposição aos raios ultravioletas ao longo da
vida, sem proteção, pode trazer consequências importantes, e o câncer de pele é
uma delas. É uma doença de fácil prevenção, por isso a conscientização é
essencial. São hábitos simples, incorporados à rotina, que fazem toda a
diferença”, explica a dermatologista Ana Gabriela Salvio, coordenadora do
Programa de Prevenção do Melanoma do Hospital Amaral Carvalho.
Cuidados básicos de prevenção
Entre as
principais recomendações dos especialistas estão:
- Uso diário de protetor solar: aplicar protetor com fator mínimo 30 no rosto e no corpo,
inclusive em dias nublados ou chuvosos, reaplicando a cada três horas ou
após entrar na água.
- Roupas e acessórios de proteção: priorizar camisetas de manga longa com proteção UV, chapéus,
bonés, sombrinhas e óculos de sol, especialmente no verão.
- Evitar horários de maior radiação: reduzir a exposição direta ao sol entre 10h e 16h.
- Atenção às mudanças na pele: manchas, feridas que não cicatrizam ou alterações em sinais devem
ser avaliadas por um médico o quanto antes, já que o diagnóstico precoce
amplia as chances de tratamento eficaz.
A médica
ressalta ainda que alguns fatores aumentam o risco de desenvolver a doença,
como pele e olhos claros, histórico familiar de câncer de pele e exposição
solar excessiva no trabalho ou no lazer. “Não significa que a pessoa
necessariamente terá câncer, mas que precisa redobrar os cuidados”, afirma.
Pessoas que já se submeteram ao bronzeamento artificial, prática proibida pela
Anvisa no Brasil, também apresentam maior risco.
“O hábito
de observar a própria pele regularmente é fundamental. Ao perceber manchas
novas, alterações em sinais ou feridas que não cicatrizam, é indispensável
procurar avaliação médica. O melanoma é o tipo mais perigoso de câncer de pele
e precisa ser diagnosticado precocemente”, completa a especialista.
Há mais de
15 anos, o Hospital Amaral Carvalho mantém o Programa de Prevenção do Melanoma,
que oferece orientação, rastreamento e diagnóstico precoce da doença.