
A jornada da cantora Preta Gil no enfrentamento do câncer colorretal chamou a atenção para uma doença que, na maioria das vezes, evolui de forma silenciosa. Ao compartilhar cada etapa do tratamento e falar abertamente, sem tabus, sobre o tumor que atinge o cólon, o reto e o intestino grosso, a artista ajudou a ampliar a compreensão pública sobre o tema. Aos 50 anos, ela faleceu em decorrência da enfermidade que, apesar de frequente, ainda costuma ser diagnosticada tardiamente, o que reduz as chances de cura.
O câncer colorretal está entre os mais incidentes no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país registra mais de 45 mil novos casos por ano. No cenário global, dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam cerca de 900 mil mortes anuais, tornando-o o segundo tipo de câncer que mais mata no mundo, atrás apenas do câncer de pulmão.
É nesse contexto que o mês de março marca a campanha Março Azul-Marinho , dedicada à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce da doença. De acordo com o cirurgião oncológico André Medeiros de Carvalho, do Hospital Amaral Carvalho, de Jaú, ampliar a informação é fundamental para o tratamento. “O Março Azul-Marinho tem a intenção de divulgar e conscientizar a população quanto à importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de intestino grosso, aumentando, assim, as chances de cura”, explica.
Exames a partir dos 45 anos
A recomendação é que homens e mulheres iniciem o rastreamento a partir dos 45 anos, mesmo que não apresentem sintomas. A colonoscopia é o principal exame preventivo e, em geral, deve ser realizada a cada dez anos. Outros métodos, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a retossigmoidoscopia, também contribuem para a detecção precoce.
Entre os sinais de alerta estão alterações persistentes no hábito intestinal, presença de sangue nas fezes ou no papel higiênico, dores abdominais frequentes e perda de peso sem causa aparente. Pessoas com histórico familiar ou síndromes genéticas associadas ao câncer colorretal precisam de acompanhamento individualizado e, muitas vezes, devem iniciar o rastreamento mais cedo.
Tratamento envolve cirurgia e abordagem multidisciplinar
O tratamento do câncer colorretal exige atuação integrada de cirurgião oncológico e oncologista clínico. Segundo o especialista do HAC, a cirurgia é a principal estratégia terapêutica na maioria dos casos. Dependendo do estágio da doença, pode haver indicação de quimioterapia e radioterapia antes ou após o procedimento cirúrgico. “Alguns casos são resolvidos somente com cirurgia e outros casos, excepcionais e mais raros, são resolvidos apenas com quimioterapia e radioterapia”, pontua.
Além dos exames preventivos, a adoção de hábitos saudáveis, alimentação rica em fibras, consumo moderado de carnes processadas e bebidas alcoólicas, prática regular de atividade física e abandono do tabagismo, contribui para reduzir o risco da doença.
A campanha Março Azul-Marinho reforça que compreender o que é o câncer colorretal e agir preventivamente são passos essenciais para transformar informação em cuidado e aumentar as chances de cura.
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