
Imagine que, durante uma cirurgia para retirada de um tumor, o médico pudesse receber uma informação sobre o tecido que está sendo analisado em questão de segundos.
Essa é a proposta da MasSpec Pen, uma tecnologia desenvolvida pela cientista brasileira Lívia Schiavinato Eberlin, que utiliza análise molecular para diferenciar tecidos tumorais de tecidos saudáveis.
A tecnologia já está sendo estudada no Brasil e voltou a ganhar destaque em 2026 diante das discussões sobre seu possível uso no Sistema Único de Saúde (SUS).
Como funciona a “caneta”?
Apesar do formato parecido com o de uma caneta, o dispositivo funciona de uma maneira bastante sofisticada.
Durante a cirurgia, uma pequena quantidade de água entra em contato com o tecido. Essa água captura moléculas presentes na superfície e leva essas informações para um equipamento de espectrometria de massas, que analisa a composição molecular da amostra.
O sistema então compara o perfil encontrado com padrões associados a tecidos cancerígenos.
10 segundos
Tempo de análise
Segundo informações apresentadas em audiência pública no Senado, o processo pode identificar células cancerígenas em aproximadamente 10 segundos.
A ideia é levar informação molecular ao cirurgião enquanto a cirurgia está acontecendo.

Por que isso pode fazer diferença?
Em uma cirurgia oncológica, um dos desafios é determinar com precisão onde termina o tumor e onde começa o tecido saudável.
A margem de segurança é importante para aumentar as chances de retirar toda a doença. Ao mesmo tempo, retirar uma quantidade maior de tecido saudável do que o necessário pode trazer consequências dependendo da localização do tumor e do tipo de cirurgia.
Uma tecnologia capaz de fornecer informações adicionais durante o procedimento poderia, no futuro, auxiliar o médico nessa tomada de decisão.
Uma tecnologia criada por uma brasileira
A MasSpec Pen foi desenvolvida pela química brasileira Lívia Schiavinato Eberlin, pesquisadora que construiu sua carreira científica nos Estados Unidos.
A trajetória da pesquisadora é um exemplo de como a ciência desenvolvida por brasileiros pode gerar tecnologias com potencial de aplicação em problemas de saúde.
Em junho de 2026, Lívia participou de uma audiência pública no Senado Federal para discutir a tecnologia e defender sua possível adoção pelo SUS.
A tecnologia já está sendo estudada no Brasil
O Brasil também participa do desenvolvimento clínico da tecnologia.
O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, tornou-se o primeiro centro fora dos Estados Unidos a realizar estudos clínicos com a MasSpec Pen.
Os estudos buscam avaliar o desempenho da tecnologia em situações reais e entender de que maneira ela pode contribuir para procedimentos oncológicos.
E ela já está disponível no SUS?
Ainda não
Disponibilidade no SUS
Essa é uma informação importante.
A tecnologia está em fase de estudos e existe uma discussão sobre sua possível incorporação ao sistema público de saúde. Isso significa que ainda não se pode afirmar que a MasSpec Pen esteja disponível rotineiramente para pacientes do SUS.
Antes de uma tecnologia desse tipo ser incorporada à rede pública, são necessárias avaliações de segurança, eficácia, custo-benefício e outros critérios técnicos e regulatórios.
Da pesquisa para a sala de cirurgia
A história da MasSpec Pen mostra uma das possibilidades mais interessantes da ciência moderna: utilizar informações que antes só poderiam ser obtidas por análises laboratoriais para ajudar na tomada de decisões enquanto um procedimento médico está acontecendo.
Se os estudos confirmarem seu potencial, tecnologias como essa poderão contribuir para cirurgias cada vez mais precisas, aproximando ciência, tecnologia e cuidado com o paciente.
E essa história ainda está sendo escrita.
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