
Uma pesquisa brasileira desenvolvida ao longo de aproximadamente 25 anos dará um novo passo no dia 24 de setembro, com o início de um estudo clínico de fase 1 sobre o uso da polilaminina em pessoas com lesões agudas da medula espinhal.
O estudo será realizado com cinco voluntários e terá como objetivo principal avaliar a segurança da aplicação da substância.
A pesquisa foi desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob a liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália.
Critérios rigorosos para participação
Poderão participar pessoas com idades entre 18 e 72 anos que tenham sofrido uma lesão medular torácica aguda e completa há menos de 72 horas, com indicação para cirurgia.
As lesões deverão estar localizadas entre as vértebras T2 e T10. A participação dependerá do cumprimento de todos os critérios clínicos estabelecidos e da assinatura do termo de consentimento.
A aplicação será intramedular e realizada uma única vez durante o procedimento cirúrgico. Depois disso, os voluntários serão acompanhados por seis meses, seguindo protocolo clínico e monitoramento independente de segurança.
O estudo contará com equipes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Integração entre pesquisa e atendimento
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência da capital paulista será preparado para auxiliar na identificação e no encaminhamento de possíveis participantes que atendam aos critérios da pesquisa.
A articulação busca permitir que os casos compatíveis sejam encaminhados rapidamente aos centros responsáveis pelo estudo, respeitando o limite de até 72 horas após a ocorrência da lesão.
A etapa de reabilitação terá o apoio da Associação de Assistência à Criança Deficiente, a AACD.
Um primeiro passo da pesquisa clínica
A polilaminina foi desenvolvida a partir da laminina, uma proteína relacionada à estrutura celular e ao tecido nervoso.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o estudo clínico de fase 1 em janeiro de 2026.
Essa primeira etapa avaliará principalmente a segurança da aplicação. Ela não comprova a eficácia da substância e não permite apresentar a polilaminina como cura ou tratamento já disponível para pessoas com lesões medulares.
Caso os resultados de segurança sejam considerados positivos, a pesquisa poderá avançar para as fases 2 e 3, quando a eficácia e outros aspectos do tratamento poderão ser avaliados em grupos maiores.
A polilaminina ainda não possui registro para uso regular, não está disponível comercialmente e não pode ser aplicada fora das condições autorizadas para a pesquisa.
O início do estudo representa um passo importante para a ciência brasileira, ao aproximar uma pesquisa desenvolvida durante décadas da avaliação clínica em seres humanos, com acompanhamento médico e critérios regulatórios.
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