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Tecnologia

Inteligência artificial identifica o tipo mais grave de infarto e localiza artéria bloqueada

Tecnologia experimental analisa eletrocardiogramas para reconhecer sinais de obstrução coronariana e apoiar decisões em atendimentos de emergência.

28/10/2026 · Por Ação Comunicativa

Equipe de saúde com equipamentos de proteção transfere paciente em maca entre ambulâncias do SAMU
Quando o paciente não consegue chegar rapidamente ao hospital, os médicos nas ambulâncias enfrentam um dilema: decidir se aplicam ou não um medicamento para desobstruir a artéria (trombolítico). Essa medicação salva vidas, mas pode causar efeitos colaterais graves Foto: Shutterstock

Uma ferramenta de inteligência artificial poderá ajudar profissionais de saúde a identificar o tipo mais grave de infarto, provocado pelo bloqueio total de uma artéria do coração.

Desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, e da Universidade de São Paulo (USP), o sistema analisa os dados digitais do eletrocardiograma e consegue apontar onde está localizada a obstrução.

A proposta é auxiliar médicos e equipes de emergência na identificação de padrões que podem não ser percebidos imediatamente na análise visual do exame.

Tecnologia treinada com mais de 500 mil exames

O modelo foi treinado com 540.372 eletrocardiogramas de 225.884 pacientes atendidos em serviços de emergência na Suécia.

Os resultados também foram validados com dados de 401 pacientes atendidos no Instituto do Coração, em São Paulo, além de bases de exames da Europa e da Universidade Federal de Minas Gerais.

Nos casos em que o eletrocardiograma apresentava alterações bem definidas, o sistema alcançou 96% de assertividade. Quando os sinais clássicos não estavam evidentes, a ferramenta conseguiu distinguir corretamente a obstrução em 82% das avaliações.

Apoio à decisão médica

A identificação rápida de uma artéria completamente bloqueada é importante porque a interrupção do fluxo sanguíneo pode causar danos irreversíveis ao músculo cardíaco.

No futuro, a ferramenta poderá analisar eletrocardiogramas em tempo real e ajudar a reconhecer pacientes que precisam de atendimento urgente.

Os pesquisadores ressaltam que a inteligência artificial não fornece o diagnóstico final e não substitui a avaliação dos profissionais de saúde. Seu papel é identificar padrões de risco e oferecer informações adicionais para apoiar a decisão médica.

A tecnologia ainda é experimental. Os pesquisadores do Instituto do Coração trabalham na continuidade de sua validação em condições reais de atendimento. Uma eventual utilização clínica também dependerá da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Fontes e referências

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