
Os seres vivos deixam vestígios genéticos nos ambientes por onde passam. Presentes na água, no solo, no ar e até em teias de aranha, esses materiais podem ajudar pesquisadores a identificar espécies sem a necessidade de capturar os organismos.
Essa é a base do DNA ambiental, conhecido como eDNA, tecnologia que está sendo testada para o monitoramento da biodiversidade em pequenas e médias propriedades rurais da Mata Atlântica.
O trabalho integra o projeto eDNA Rural e é desenvolvido no âmbito do Centro de Ciências para o Desenvolvimento em Agricultura Digital, o Semear Digital.
Da coleta à identificação das espécies
O processo começa com a escolha da área em que as amostras serão coletadas, com a colaboração dos produtores rurais.
No laboratório, o DNA presente nas amostras é extraído, purificado, amplificado e sequenciado. A identificação das espécies ocorre pela comparação das sequências encontradas com bancos de dados genéticos de referência.
A tecnologia pode detectar diversas espécies, incluindo organismos raros ou difíceis de observar. Outro diferencial é a possibilidade de realizar o monitoramento sem a coleta direta dos animais.
O projeto reúne profissionais da Embrapa Agricultura Digital, Embrapa Meio Ambiente, Universidade Federal do ABC, Esalq da Universidade de São Paulo, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Instituto Tecnológico Vale e instituições parceiras.
Tecnologia a serviço da conservação
O objetivo é desenvolver métricas relacionadas à biodiversidade e aos serviços ecossistêmicos que ajudem a demonstrar os benefícios ambientais da manutenção da floresta em pé.
Essas informações também poderão contribuir para a valorização dos produtores que preservam áreas de vegetação nativa em suas propriedades.
As próximas etapas incluem campanhas de campo em Lagoinha e Jacupiranga, no estado de São Paulo, além de atividades de capacitação com produtores rurais das duas regiões.
As coletas deverão ajudar a aprimorar a capacidade de monitoramento da biodiversidade por meio do DNA ambiental. Por se tratar de uma pesquisa em desenvolvimento, seus resultados ainda não devem ser apresentados como conclusivos.
Ao aproximar genômica, agricultura e conservação, o projeto investiga novas maneiras de conhecer a diversidade biológica presente nas propriedades rurais e acompanhar os efeitos da preservação ambiental.
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