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FILANTRÓPICAS EM COLAPSO

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Falta de recursos pode levar à falência hospitais filantrópicos e Santas Casas, em caso de uma terceira onda da Covid-19.

Hospitais filantrópicos e Santas Casas podem não resistir e irem à falência em caso de uma terceira onda da Covid-19. Nesta semana, a Fiocruz fez um alerta de que se, de fato, uma nova intensificação de casos da doença acontecer, pode representar uma crise sanitária ainda mais grave do que a última.

Isso porque quase todos os estados brasileiros ainda registram taxas de internação acima de 90%, ao mesmo tempo que os hospitais que participam de forma complementares ao SUS sofreram redução nos repasses financeiros por parte do Ministério da Saúde, em 2021.

Até o final do ano passado, o Governo Federal pagava um valor a mais no tratamento dos pacientes da Covid-19, porque os custos são bem mais elevados, demandando altos volumes de oxigênio, insumos e medicamentos. No entanto, desde janeiro deste ano, esse incentivo não foi renovado pelo Ministério da Saúde.

Antes mesmo da pandemia, grande parte dessas instituições já sofria com o subfinanciamento do SUS, que banca apenas 60% dos custos pelos serviços prestados. Com o surgimento da doença e o aumento cada vez maior de casos, esses hospitais viram o preço dos medicamentos, insumos e da mão de obra dispararem.

O diretor-geral da Santa Casa de Lagoa Santa, em MG, Paulo Boschi, conta que os custos mensais da instituição com medicamentos dobraram neste ano. "Eu tinha, mais ou menos, um custo inicial de suprimentos, em torno de R$ 400 mil a R$ 500 mil, hoje está mais de R$ 1 milhão. Tem medicação que subiu 900%, custava R$ 10,50 e foi para R$ 105,00. Tem outra medicação que custava R$ 8 e foi para R$ 48.

No ano passado, reconhecendo o subfinanciamento, o Governo Federal dobrou a diária para um leito Covid-19, passando de R$ 800 para R$ 1.600. Mas, segundo uma estimativa da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (Federassantas), a diária de um paciente do coronavírus chega a mais de R$ 2.500.

Em 2020, essas entidades receberam um aporte de R$ 2 bilhões do Ministério da Saúde, mas, passados cinco meses deste ano, elas ainda não viram novos recursos financeiros chegarem. Um fio de esperança está na aprovação de dois projetos de lei. Um do Senador Humberto Costa (PT-PE), que prevê repasse extraordinário de R$ 2 bilhões e outro do senador Luís Carlos Heinze (PP-RS), que destina R$ 3 bilhões. Os valores, no entanto, conseguiriam manter o custeio desses hospitais por apenas seis meses, conforme avaliação da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB).

14/May/21 - Acao Comunicativa
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